Mas vamos deixar esses dados - basicamente supersticiosos - de lado e observar os acontecimentos internos às quatro linhas. O que se viu no gramado foi um Botafogo pouco produtivo, que empacou no individualismo ineficaz de Maicosuel e na má atuação de Elkeson para praticamente não incomodar o goleiro corinthiano Júlio César. Uma finalização do atacante argentino Germán Herrera que carimbou a trave direita e uma nova conclusão na trave direita (dessa vez no segundo tempo, quando o estreante Alexandre Oliveira cabeceou em impedimento uma bola desviada por Herrera) pode ser considerado muito pouco para um time que traça planos de ingressar na próxima edição da Copa Libertadores da América.
Como se não bastasse o jogo ofensivo muito aquém do potencial da equipe, a defesa concedia espaços para o time visitante usar à vontade, contra-atacando em velocidade e chegando aos gols. Jéfferson e Marcelo Mattos estavam de volta, Renato fez sua estréia, Caio foi titular. Mas o futebol, novamente, passou longe de ser satisfatório. Caio Júnior não deve ser responsabilizado diretamente pelo resultado - repito: Maicosuel e Elkeson ficaram devendo naquela noite de quarta-feira - mas fica difícil entender o que leva o treinador a improvisar Lucas Zen como lateral-esquerdo. Muita coisa precisará ser melhorada para que o time reencontre as vitórias, que já não aparecem há três partidas.
Atuações
Jéfferson - Uma ou outra intervenção daquelas que mostram porque se trata de um goleiro de seleção. Isento de responsabilidade nos gols, que ocorreram com o sistema defensivo escancarado. Nota 7.
Alessandro - A figura mais lúcida com a bola nos pés. Praticamente não errou e ainda conseguiu propôr alternativas a um time burocrático na criação de jogadas. Nota 9.
Antônio Carlos - Não deu conta de marcar o ágil ataque adversário, mas também não deve ser responsabilizado diretamente pelos gols sofridos. Porém, pode - e deve - render mais que isso. Nota 5.
Fábio Ferreira - Atuação no nível de seu companheiro de zaga, com o diferencial de que foi mais participativo no ataque e se apresentou mais para o jogo. Nota 5,5.
Lucas Zen - Praticamente não apoiou o ataque (possivelmente por orientação do treinador) e, na marcação, foi envolvido diversas vezes. Não parece a melhor opção para a lateral-esquerda. Nota 4.
Marcelo Mattos - Pareceu mais lento do que o habitual, vacilando inclusive em lances mais simples. Nota 5.
Renato - Uma estréia onde já foi possível notar a sua qualidade com a bola nos pés e visão de jogo diferenciada. Talvez tenha faltado ritmo de jogo, mas o principal ele já tem: talento. Nota 6.
Elkeson - Para os torcedores que se acostumaram com boa atuação atrás de boa atuação, foi talvez a maior decepção da noite. Nota 4.
Maicosuel - Abusou do direito de insistir nas jogadas individuais. Errava uma, duas, três vezes e não se cansava de seguir tentando algo que era rotineiramente neutralizado pelos adversários, comprometendo o rendimento das jogadas de ataque da equipe. Nota 3.
Herrera - Buscando jogo, se apresentando, foi um dos elementos mais participativos no ataque alvinegro. Pôs bola na trave, atraiu a marcação, trocou passes, mas em alguns momentos demorou demais para desfazer-se da bola. Nota 7.
Caio - Aquela habitual transpiração que lhe é característica, mas faltou maior entendimento com os companheiros quando as jogadas se aproximavam do momento de conclusão. Nota 6.
Márcio Azevedo - Entrou no lugar de Lucas Zen e mostrou maior afinidade com a lateral-esquerda (o que não é nada mais que o natural). Nota 5.
Alexandre Oliveira - Foi colocado no lugar de Caio e seu principal momento foi quando, em impedimento, cabeceou uma bola na trave direita. Nota 5.
Thiago Galhardo - Substituiu Maicosuel, ficando pouco mais de um terço de hora em campo. Sem nota.
Caio Júnior - A equipe buscou ter a posse de bola, mas mostrou sérias dificuldades em o que exatamente fazer com ela. Para piorar, o time demonstrou-se frágil para lidar com os contra-ataques adversários. Foi hostilizado pela torcida, que gritou pelo nome de Cuca. Nota 4.
Fila para entrada na arquibancada de São Januário: houve tumulto naquele setor.
Mais de 9.500 presentes acompanharam a partida na noite de quarta-feira.
Vídeo exclusivo do 2º gol corinthiano: botafoguenses hostilizaram treinador Caio Júnior.
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